Rotinas e tarefas do empreendedor vs estar empregado
Muita gente tem uma visão errada sobre a rotina e desafios de um executivo ou de um empreendedor. Alguns acham a rotina do profissional de mercado uma maravilha, outros possuem aquela visão errada da vida empreendedora, tipo aquela coisa meio clichê de “vou ser dono do meu nariz”, “fazer meus horários” ou “vou ficar rico”.
Vou contar um pouco da minha experiência e visão dessas realidades através de uma metáfora aquática que compara esses dois mundos.
CARREIRA NUMA MULTINACIONAL – Navio de Cruzeiro.
Todos querem ir para um cruzeiro. Quem não quer um puta salário e o status de trabalhar em uma grande empresa? Muitos querem e poucos conseguem essa chance. Se você tiver, até sua sogra vai te trazer cerveja bem gelada.
Independente da tempestade, você está seguro. Muito provavelmente, nos próximos 5 ou 10 anos, a maioria das grandes empresas ainda irão existir. Isso te proporciona estabilidade. Seja agressivo e batendo suas metas, você ainda estará lá. E será recompensado mesmo em tempos de crise.
No final do dia, descanse no seu camarote. Você sai da empresa no final do dia e tem a sua vida, seus amigos e sua família para dar atenção e carinho – há exceções aqui, algumas empresas não são assim.
“Ao chegar a 5 milhas de qualquer porto, reduza a velocidade para 25 nós”. Sim, numa grande empresa, boa parte dos processos já estão bem definidos. É bom porque você sabe o que fazer, mas ruim pois muitas vezes sofrerá para colocar uma nova idéia em prática.
Tem GPS, radar, telefone por satélite, cabine de comando, motor reserva, enfermaria e até cassino. Você tem apoio, orientação e infra-estrutura para atingir suas metas. Às vezes pode ser menos do que deveria, mas tem. Existe a área do RH, financeiro e compras para resolver quase tudo.
Tem o vice-capitão, o chefe de máquinas, o especialista em navegação, um médico… A empresa possui pessoas e departamentos especializados. Tão especializados que de vez em quando até rola uma rivalidade. Tipo financeiro vs marketing, comercial vs logística. Há pessoas especializadas. Na verdade há muitas pessoas. A ponto de ter competição, alguns atritos, jogo de interesses e puxadas de tapete…
Você compra o desafio de entrar como marinheiro e um dia ser o capitão. Entre numa empresa cabeça aberta e agressiva como AMBEV ou Unilever, seja brilhante e será super bem recompensado. Em pouco tempo você pode ser um diretor, um grande gerente e até um tempo depois, por que não, tornar-se o CEO.
Agora, o outro lado da moeda… de quem é inquieto e vai atrás de emoção, o lado da vida bandida hahaha… Apresento-lhes, o barco do empreendedor!
EMPREENDEDOR – Veleiro de competição!
Esqueça o dinheiro e status. Entre nesse barco para você fazer o que gosta. Acredite: para dar certo, a grana no bolso não deve ser o primeiro objetivo. O primeiro objetivo é ser bom de regata, fazer seu negócio resolver um problema que ninguém resolveu ou resolver de um jeito melhor que os outros competidores.
Qualquer brisa é sinal de tempestade. Um novo cliente potencial para ajudar a pagar as contas ou um cliente que te abandona, ambos casos podem ser a diferença entre continuar na corrida ou ter de abandonar o barco. E sinto dizer: A incerteza é uma constante e você terá de aprender a lidar com isso. A vantagem é que você poderá ajustar o rumo e as velas com muita rapidez. Aumentar a equipe, reduzir a equipe, abrir um canal de vendas. E isso te dá um mega diferencial, desde que saiba o que está fazendo.
Economia! Num veleiro de competição tudo é funcional e racionado. Tudo que não melhore diretamente o seu produto ou serviço é perfumaria. Incluindo o ar condicionado e hotéis acima de Ibis ou Formula 1.
De centenas de pessoas para um time pequeno de iatistas, de alta performance, multifuncional e entrosado. Esqueça trazer pessoas por que são legais ou gostam muito da sua idéia. Você precisa de gente com sangue no olho. Não há abertura para desconfiança, desmotivação, jogos de interesse, ego ou qualquer coisa similar. Se existir, suas chances de dar certo já diminuem uns 50%.
Fica aqui também um destaque para a “multifuncionalidade” do empreendedor. Prepare-se para fazer de tudo, de negociar com um CEO a limpar vasos sanitários. Se falta infra-estrutura e pessoas, quem deve ser o coringa para a equipe é o empreendedor. Deixe o caminho livre e o mais organizado o possível para seu time de iatistas brilhar nas funções críticas da empresa.
Não existe o processo nem o certo a fazer. Não tem manual, nem procedimento, nem superior para dizer o que é certo a fazer. É você, o vento, um leme, as velas, talvez um GPS e o seu desejo de chegar em algum lugar. Dá um frio na barriga, mas você tem carta branca para inovar. Só exite uma coisa certa, que são as noites de sono que você passará quebrando a cabeça. =D
Tudo que dá errado é culpa do skipper, o capitão do barco. Não tem como negar. Se algo vai errado na empresa, a culpa sua. Ponto. Se alguém está fazendo algo errado, você a contratou. Se o seu sócio está fazendo algo errado, você quis a sociedade. Lembre-se que não existe mais desculpas ou muro das lamentações. É o seu que está na reta malandro. Se algo está errado, arrume antes que seja tarde.
Aqui vale outro destaque: devido a alta pressão e responsabilidade, cuidado com a sua saúde. A física e a mental!
As pessoas aceitam um risco para fazer parte de um sonho, para encontrar uma terra nova. Essa é uma das coisas mais especiais e que você deve cuidar. Se no navio o objetivo era ser o capitão, em uma empresa nascente o que acende a chama dentro das pessoas é o desafio de construir algo novo, de chegar na frente. Se o barco afundar todos sabiam do risco, mas se ganhar a regata, não esqueça de dividir o mérito e os ganhos com a equipe. Principalmente com quem aceitou fazer parte desse sonho lá no começo, quando nem construído o barco estava.
Abraço de urso!
Alessio
Eu quero te contaminar com o bicho empreendedor
Antes de tudo…
Quanto mais gente conseguir levar para o outro lado do balcão, mais sei que estarei fazendo o bem. Por isso, antes de tudo, obrigado por chegar até aqui. Espero que você tenha bons momentos de leitura.
Começando…
Meu pai sempre me incentivou a abrir meu negócio. Lembro de muita vezes quando conversávamos sobre coisas ligadas ao meu futuro profissional. Eu cheio de idéias na cabeça sempre falava sobre a possibilidade de abrir meu negócio, ser um executivo, de passar em algum grande processo de trainee e outros. Independente da conversa, ouvia sempre a mesma coisa: “Vai buscar teu sonho. Trabalhe pelo teu sonho e não pelo dos outros…”
Com o tempo, isso e mais algumas outras coisas entraram em minha cabeça de uma forma tão profunda que sempre tive certeza de que iria empreender. Essa certeza aumentou ainda mais durante a universidade.
Com mais experiência no mercado, principalmente em consultorias, pude observar que muitos profissionais viam o trabalho não como um fim, mas como um meio. Um meio de sobreviver e conseguir um pouco de qualidade de vida. Um meio de conseguir segurança através de bens materiais, um meio de aumentar o próprio ego, a conta bancária, um meio de conseguir se afirmar. Poucos paravam para pensar se o que estavam fazendo estava de acordo com o que ia lhes fazer feliz no futuro ou se aquilo que faziam estava alinhado à suas missões de vida.
Eu também cheguei a ver o trabalho como meio. Me peguei muitas vezes com medo e pensando coisas como “preciso ser dedicado e disciplinado para conseguir uma boa posição profissional, para ter sucesso, paz e qualidade de vida”. Eu queria no final poder dar uma boa educação para meus filhos, ter uma casa legal na cidade, outra na praia, um bom carro. E o medo de não conseguir isso tirava meu sono, me fazia resistir e ir trabalhar no dia seguinte.
Muitas vezes me peguei pensando no trabalho como um remédio. Algo que me cansava, me frustrava mas que me faria bem no futuro – o sucesso, reconhecimento, o carro, casa, viagens e etc. Tudo viria pela minha disciplina e responsabilidade. Quando um dia me ofereceram esse futuro garantido, tive um frio na espinha. Senti que se aceitasse, estaria escolhendo viver sem paixão. Eu já sabia o que fazer. Dois meses depois, estava saindo para abrir meu negócio.
Hoje estudo vorazmente, penso 24h na minha empresa, dormo pouco, trabalho várias horas por dia. Se eu reclamo? Não. Eu adoro. O remédio virou diversão. Decidi empreender não por dinheiro ou algo material. Não por ego ou qualquer coisa parecida. Decidi empreender pois vejo em minha cabeça soluções para problemas ainda não resolvidos. Ou que sei que poderia resolver de um jeito melhor.
Empreender é ter uma solução na cabeça e uma vontade absurda de transformá-la em algo real, algo que melhore a vida das pessoas.
Espero fazer com que você também sinta esse frio na espinha e comece a ouvir seu coração. A disciplina, a obstinação e a força para empreender algo grande não vem da mente, mas do coração.
Precisa vir do coração.





